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segunda, 18 de junho de 2018
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Depressão no trabalho: Porque isso acontece e como reverter esse quadro?

12 Mar 2018 - 03h41Por (*) Bianca Gianlorenço
Depressão no trabalho: Porque isso acontece e como reverter esse quadro? - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Dizem por aí que o ano só começa após o feriado de Carnaval, momento em que a rotina é retomada com mais força e maior exigência de organização.

É o fim das férias, início das aulas escolares e demais cursos.

Planejamentos são feitos para os próximos meses e o trabalho laboral volta a seguir um fluxo e ritmo mais contínuo para a grande maioria das pessoas.

Mas isso não quer dizer que os velhos problemas do trabalho tenham ficado para trás!

  • A rotina exaustiva;
  • As cobranças dos superiores;
  • As metas a serem atingidas;
  • Reuniões fora de hora;
  • Horários rígidos a cumprir;
  • Relatórios a entregar;
  • As relações profissionais;
  • A falta de diálogo;
  • Imposições;
  • O pouco espaço para tomada de decisões e autonomia.

São apenas alguns dos fatores que podem levar uma pessoa a apresentar sintomas depressivos e estresse graves.

Não é por acaso que a OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta em seus estudos que até o ano de 2020 a Depressão será a 2ª maior causa de incapacidade e afastamentos do trabalho.

No ano de 2016 foram mais de 75 mil pessoas afastadas de suas funções laborais por causa da doença e somente 5% são reintegradas ao trabalho.

O Clima organizacional é um conceito que compreende:

  • O campo da subjetividade e diz respeito à forma como os trabalhadores percebem o seu ambiente de trabalho;
  • O clima e as relações mantidas entre seus pares e as chefias;
  • A abertura ao diálogo e comunicação;
  • A transparência nos processos;
  • A confiança;
  • Condições de trabalho.

Trata-se, portanto, de um “ambiente psicológico” capaz de gerar resultados positivos para a empresa, mas principalmente ao funcionário, que estando satisfeito, torna-se corresponsável pela imagem e desempenho organizacional.

O Trabalho/Emprego portanto, não se resume apenas na relação de cumprimento de ordens, horários e recebimento de salário, mas ele tem uma faceta muito mais profunda que é a .

Ele nos fala sobre Pertencimento a um grupo/classe, sobre a capacidade aquisitiva de uma pessoa, de quem somos (características pessoais/personalidade), habilidades e desenvolturas, os conhecimentos, capacidade de mudança e crescimento, aprendizagem, etc.

E nos permite ter responsabilidade, cumprir e fazer compromissos financeiros, usufruir de lazer, realizar desejos e sonhos, além de ser uma importante rede social.

Diariamente as pessoas ocupam seus postos de trabalho com tudo o que tem e são em termos psicológicos e emocionais:

  • Com seus traumas e medos;
  • Sonhos e desejos;
  • Expectativas e frustrações;
  • Preocupações financeiras;
  • Preocupações familiares.

E por mais que haja a necessidade de fazer separação e manter o profissionalismo, em algum momento ou por algum gatilho, essas questões pessoais surgem e em confronto com o ambiente psicológico do trabalho (se não for positivo) podem resultar em Depressão.

Apesar de ser um transtorno recorrente (infelizmente) e bastante presente nas Organizações, ainda é comum que seja negligenciado e não reconhecido, levando o profissional a sofrer sozinho com seus questionamentos, chegando a ser visto como preguiçoso ou desinteressado.

Para manter o ambiente organizacional saudável as empresas precisam, promover mudanças em sua Gestão, elaborar um alinhamento contínuo entre as necessidades organizacionais e do trabalhador, proporcionar um ambiente psicologicamente mais leve e prazeroso, além de saudável, incluir programas de Qualidade de Vida, suporte Psicológico, incentivo ao crescimento intelectual e profissional, Promover espaços de diálogo e aceitação e instrumentos que possam identificar abusos psicológicos e emocionais sofrido nas relações de trabalho.

Toda e qualquer ação voltada para a prevenção do adoecimento psicológico nas Organizações se reverte em um grande investimento no capital humano e principalmente na Saúde do trabalhador, resultando na diminuição de afastamentos e absenteísmo, no aumento da satisfação de seus colaboradores, aumento da produtividade, e um retorno de até quatro vezes o valor do investimento inicial.

O funcionário passa a maior parte do tempo dentro da organização, se esse ambiente não for saudável, obviamente ele irá adoecer.

A questão da saúde metal é bem delicada quando pensamos no ambiente organizacional, dificilmente há um programa de avaliação psicológica nos processos de recrutamento e seleção, não tendo um perfil psicológico do funcionário que dividirá o mesmo ambiente que você. Apenas diante da entrevista, que é a ferramenta mais utilizada, é impossível identificar se tal funcionário é portador de uma doença mental, o que pode gerar tragédias, como o caso do segurança que ateou fogo em crianças.

Hoje há empresas especializadas nesse tipo de serviço!

Empregadores pensem nisso!!! Invistam em Saúde Mental!!!

(*) A autora é graduada em psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica. Sugestões: biagian@hotmail.com. Facebook: Bianca Gianlorenço.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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