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quarta, 19 de setembro de 2018
Artigo Netto Donato

Convergir para solucionar

13 Set 2018 - 16h23Por (*) Netto Donato
Convergir para solucionar -

No último final de semana, ficamos atônitos ao ver o candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, ser vítima de um atentado. Algo condenável e vil, uma facada na nossa democracia. Por mais que possamos discordar de candidatos e partidos políticos, não é com violência que se ganha uma eleição, mas sim com debate de ideias. O atentado contra Bolsonaro poderia acontecer com qualquer pessoa que participe de campanhas eleitorais, seja como candidato ou apoiador.

Usar de expedientes violentos afasta as boas pessoas e boas ideias da política. Afinal, como participar tranquilo de uma campanha se estamos correndo o risco de sofrermos alguma atitude violenta, apenas pelo fato de defendermos nossas ideias? É absolutamente inaceitável que o debate político brasileiro continue pautado pelo ódio e pela divisão oportunista de nossa população, a fim de obter dividendos eleitorais.

Como dizia o nosso saudoso Ulysses Guimarães: “A liberdade não pode ser mero apelo da retórica política. Ela deve exercer-se dentro daqueles velhos princípios, que impõem, como único limite à liberdade de cada homem, o mesmo direito à liberdade dos outros homens.” É fundamental, para que tenhamos um bom exercício democrático, sermos livres e podermos debater ideias e projetos importantes, sem medo de sofrermos atentados que coloquem em risco a nossa integridade física e, até mesmo, nossa vida.

É justamente do bom e livre debate de ideias que surgem as convergências entre grupos políticos. Tais convergências resultam em soluções para problemas que afligem, de fato, a população. As brigas e picuinhas pessoais associadas a discursos radicais visam tão somente uma vitória eleitoral, para que um grupo político assuma o governo, mas seja incapaz de solucionar problemas tão antigos, como Educação, Saúde, Saneamento Básico e Segurança.

Precisamos assumir posições importantes, a respeito da nossa visão sobre papel do Estado no desenvolvimento econômico e social, além de assuntos diretamente relacionados ao cotidiano da população. Através do debate franco e respeitoso, é possível chegar em um denominador comum, que seja satisfatório para políticos e, principalmente, para os cidadãos. Enquanto isso, somos obrigados a assistir atos de selvageria, que não resultam em nada que promova uma melhor qualidade de vida para nossa gente.

(*) O autor é advogado, especialista em Direito Público e mestre em Gestão e Políticas Públicas, na Fundação Getúlio Vargas - FGV/SP.

O exposto artigo não reflete, necessariamente, o pensamento do São Carlos Agora.

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