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quinta, 18 de abril de 2019
Dia a Dia no Divã

A frustração faz parte da educação, da vida!

01 Abr 2019 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
A frustração faz parte da educação, da vida! -

A frustração faz parte da vida de todos nós.  As coisas não saem sempre da forma que planejamos, na verdade, na maioria das vezes precisamos redesenhar o plano inicial. Isso acontece porque a vida está sempre em movimento e tudo pode acontecer.

A superproteção a que muitos pais submetem os filhos traz um impacto negativo no desenvolvimento das habilidades sociais deles. Quanto mais você faz pelo seu filho, menos ele aprende a fazer por ele mesmo. E ao perceber-se incapaz de fazer muitas coisas, pois nunca teve a oportunidade de treinar, acredita que não é útil, ou não consegue, e passa a repetir esse padrão até a vida adulta.

Deixe seu filho conhecer seus próprios limites, saber até onde consegue ir, tentar fazer as coisas sozinho. Avalie a capacidade dele e cuide para que não se machuque, mas deixe-o tentar. Dê tarefas para ele como arrumar a cama, dobrar sua roupa, guardar seus brinquedos, essas atividades não oferecem nenhum perigo.

Tente não dar sempre respostas prontas aos questionamentos das crianças, faça os pensar, instigue-os, responda com outras perguntas, pergunte a opinião deles.

Crianças superprotegidas tendem a ter a autonomia e o desempenho prejudicados, pois não conseguem desenvolver o senso de confiança. Serão adultos que provavelmente terão dificuldade de se estabelecer no mundo, e apresentarão características fortes de dependência, sentimento de inferioridade, incompetência, vulnerabilidade e fracasso.

Famílias superprotetoras, na tentativa de proteger a criança dos perigos do mundo, e facilitar a vida das crianças, não reforçam sua autonomia.

Além disso, também vemos muitas famílias sendo permissivas no modelo educacional que seguem. As crianças que crescem em um ambiente permissivo tendem a ter dificuldades em seguir regras e normas, em respeitar os direitos dos outros e cumprir metas pessoais. Pais que têm dificuldades na aplicação de limites realistas promovem na criança um sentimento de merecimento, de grandiosidade, falta de autocontrole e de autodisciplina. Nesse caso, o futuro adulto terá como forte característica o egoísmo, que geralmente mascara um autoconceito fragilizado e uma imagem deturpada de si mesmo, característicos da baixa autoestima.

A criança precisa ser frustrada, ela precisa entender que não pode ter tudo a hora que quiser.

No mundo moderno conseguimos muitas coisas com um clique, não tem dinheiro, usa o cartão de crédito, etc e a hora que essa criança cresce, vai repetir esse comportamento, querendo ter tudo a hora que quiser, aí entra o desastre, pois vai fazer de tudo para conseguir e se não conseguir, aniquila o objeto de desejo, pois se eu não tenho, ninguém tem. Quantos casos de assassinatos presenciamos nos términos das relações?

As crianças querem ser aceitas e admiradas pelos pais. O adulto que ser amado, aceito e reconhecido pela sociedade. Isso nunca muda. Quando uma criança percebe que consegue fazer algo e se sente útil é a mesma sensação que o adulto tem quando isso acontece. Isso aumenta a autoestima e a autoconfiança de todos nós. Mas o que vemos são adultos que têm medo de sair da zona de conforto.

As vezes os pais estabelecem uma relação de amor condicional, isto é, a criança apenas recebe afeto e atenção mediante a determinado comportamento. Isso causa uma necessidade de ganhar aprovação. Se os pais ressaltam que gostam do filho apenas quando se comporta desta ou daquela maneira, a criança não consegue avaliar isso como mentira e passa a eliminar o comportamento indesejado para agradar aos pais. Isso é ótimo para os pais, mas o que a criança aprende com esses procedimentos?  

Dependendo do nível de exigência em que isso acontece, a criança tende a generalizar e pode se tornar um adulto que acredita que deve atender às necessidades e expectativas dos outros, suprimindo as suas, tornando-se submisso e facilmente abusado. Buscando sempre aprovação, reconhecimento e se relacionando de maneira subjugada e tendo extrema dificuldade em dizer “não”. Ou seja, um futuro muito difícil.

Deixe ele ficar frustrado e lidar com esse sentimento. Deixe ele fracassar em algumas tentativas. Dê a oportunidade de arcar com as consequências, limpar o que sujou. Prepare as crianças para o mundo real e não para o mundo que você desejaria viver, pois ele só existe na sua cabeça.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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