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quarta, 17 de outubro de 2018
Dia a Dia no Divã

A Autossabotagem

16 Abr 2018 - 04h53Por (*) Bianca Gianlorenço
A Autossabotagem -

Há momentos na vida em que por mais que tentemos mudar e agir diferente, de um jeito ou outro, acabamos cometendo os mesmos erros, fruto de armadilhas criadas por nós mesmos. Trata-se da autossabotagem, um ciclo de repetição de comportamentos destrutivos sustentados pelo nosso inconsciente.

Em 1916, Freud escreveu um artigo de grande repercussão no mundo científico intitulado: “Os que Fracassam ao Triunfar”. Ele tratava de pessoas que possuíam medo de ter satisfação e para tanto, sentiam-se aliviadas quando o que estavam fazendo não dava nada certo. É como se alguém tivesse tudo para ser feliz e, de alguma forma, conseguisse arrumar um jeito para fugir da felicidade.

A autossabotagem é um processo inconsciente e pode se manifestar em todos os aspectos da vida:  namoro, casamento, educação do filhos, escola, trabalho e novos projetos. O processo de cura para este tipo de doença emocional passa pela tomada de consciência de que as pessoas não só estão se sabotando, mas também destruindo o seu futuro.

A origem da autossabotagem pode estar lá atrás: na infância, no núcleo familiar que é onde adquirimos referências e construímos nossa base de percepção e atuação no mundo, incluindo traumas, assimilação de traços da personalidade de quem convivemos, sentimentos de abandono, rejeição, culpa, entre outros anseios.

Esse comportamento pode ser tão grave ao ponto de provocar obesidade, depressão, cardiopatias, transtornos de ansiedade, pensamentos suicidas, diabetes e, em casos mais graves automutilação, que é quando a pessoa cria flagelos físicos em si mesma para se punir e liquidar com o sucesso e a felicidade em todos os planos da vida.

As pessoas se autossabotam porque têm problemas em usufruir plenamente a satisfação de um desejo. Conseguir realizá-lo só traz angústia e ansiedade, porque essa concretização vai contra algumas de suas crenças primordiais, entre elas a de que podem ter o direito de sentir felicidade atendendo aos seus desejos. Essas pessoas pode ter nas mãos todas as condições para aproveitar a vida ao máximo, mas elas talvez “prefiram” não fazê-lo. É uma espécie de medo de ser feliz, de se sentir culpado por conseguir alcançar o que deseja.

Não basta apenas o desejo de mudar, de fazer algo diferente se nossas crenças e padrões continuam os mesmos. Você continuará repetindo o mesmo comportamento e puxando seu próprio tapete.

Evitar essas repetições destrutivas é muito difícil, porque elas estão consolidadas em nosso inconsciente desde muito cedo. Por isso eu digo que estar ciente de seu padrão de repetições é extremamente importante, eu diria que é o primeiro passo. Mas o caminho para estancar esse comportamento é ir de encontro ao trauma que está na raiz de tudo. A chave está na origem dos conflitos.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica. Sugestões: faleconosco@saocarlosagora.com.br

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