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quinta, 13 de dezembro de 2018
Cidade

Juventude Negra repudia vinda de ex-Febem a São Carlos

Manifesto ocorreu durante o Fórum Paulista da Juventude Negra, que aconteceu na UFSCar

03 Dez 2007 - 17h07Por Redação São Carlos Agora
A juventude negra manifestou apoio incondicional ao município na luta contra a instalação de uma unidade da ex-Febem, atual Fundação Casa, em São Carlos. O repúdio foi proferido durante o Fórum Paulista da Juventude Negra, que aconteceu de sexta a domingo, no Anfiteatro Bento Prado Jr., na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).“Queria ressaltar a nossa postura, enquanto juventude negra, em relação à construção da Febem aqui em São Carlos. Sabemos o que a Febem significa para a juventude negra, o que eles passam nessas instituições, como descaso e discriminação”, enfatizou Jaqueline Lima, representante do Fórum Nacional da Juventude Negra.Membro do Conselho Nacional da Juventude, o prefeito Newton Lima enalteceu a atitude da juventude negra e defendeu o NAI (Núcleo de Atendimento Integrado). “Esse município tem uma referência nacional que é o NAI. As ações afirmativas voltadas para a socioeducação de jovens em conflito com a lei têm a sua expressão máxima. Por intermédio do NAI nós temos uma diminuição extraordinária do número de jovens em conflito com a lei internados, porque aqui tem semi-liberdade, liberdade assistida e todas as medidas resolvem o problema, pois para nós é melhor a prevenção do que a coerção, por isso não queremos essa unidade de internação”, declarou o prefeito.“Nós temos um modelo melhor que a internação da ex-Febem. Não temos jovens que completem as 56 vagas porque só temos 13 jovens internados nessa instituição. De 2001 pra cá, com o NAI, apenas sete jovens estão internados em situação extrema. E mais: se em 1998 15 jovens praticavam homicídio, no ano passado nenhum jovem praticou esse tipo de crime”, relatou Newton, que também lembrou da redução pela metade das infrações estabelecidas pelo ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) para jovens que cometem infração. “Aqui o ECA funciona e nós não temos demanda para a internação de jovens. Sabiam que 4% dos jovens que passam pelo NAI entram em reincidência, ou seja, é um modelo que deu certo, contra o modelo falido da Febem”, observou. Políticas para negros –Além do prefeito e de Jaqueline, o Fórum contou com a participação das secretárias Rosilene Mendes dos Santos (Infância e Juventude) e Fátima Piccin (Cidadania e Assistência Social), Mariana Montoro, coordenadora de Juventude do Estado de São Paulo, Elisa Rodrigues, presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo, Dener dos Santos, presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Paulo Vieira, representante do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFSCar, e Maria Stella Coutinho Gil, vice-reitora da Universidade Federal de São Carlos, que representou o reitor Oswaldo Baptista Duarte Filho.Durante o fórum, o prefeito de São Carlos acentuou as políticas públicas adotadas durante sua administração à juventude e aos negros. “Adotamos os temas juventude e igualdade apenas em 2001. Até então foram 143 anos de descaso com políticas públicas voltadas à juventude e aos negros. Por isso tudo é novo. É nova a Seção de Combate ao Racismo, a Secretaria de Cidadania e Assistência Social, a Secretaria de Infância e Juventude, o Conselho Municipal de Juventude, o Conselho Municipal de Consciência Negra. Não existia nada a não ser preconceito e descaso em relação à juventude”, confessou o prefeito.Newton destacou a preparação dos professores na rede municipal de ensino para o ensino da história e cultura negra e salientou que todas as discussões provenientes do fórum serão levadas à apreciação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social, a ser lançado no dia 14 de dezembro.Elisa Rodrigues sublinhou inúmeras conquistas do negro na sociedade e explicou que do fórum vão frutificar novas idéias, idéias que consolidarão ainda mais essa. “O fórum enaltece as ações afirmativas já discutidas e fortalece a condição de dignidade do negro em questões relacionadas à saúde, educação e trabalho”, informou.A vice-reitora da UFSCar reconheceu o papel que a comunidade negra exerceu e exerce para o desenvolvimento da cidade nesses 150 anos. “Porém, muitas outras ações deverão ser encampadas. O fórum ajuda na reflexão para o desenvolvimento de políticas públicas que venham a garantir para o negro o verdadeiro exercício da cidadania”, disse Maria Stella Coutinho Gil.São Carlos foi escolhida para sediar o fórum por ter sido uma das últimas cidades a abolir a escravidão, motivo pelo qual ocorreram muitas lutas sociais e também por ter formado vários líderes negros. Outro motivo é que, desde 2005, existe uma Secretaria Municipal Especial de Infância e Juventude que trabalha com recorte étnico-racial em suas políticas, sendo esse um dos motivos para a cidade ser referência nacional e internacional na política de aplicação do Estatuto da Criança e Adolescente. 
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