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sábado, 18 de agosto de 2018
Cidade

Cresce o número de andarilhos nas praças e ruas de São Carlos

19 Fev 2014 - 15h36
Antiga estação da Fepasa é um dos pontos usado por andarilhos para dormir. - Antiga estação da Fepasa é um dos pontos usado por andarilhos para dormir. -

O número de andarilhos e moradores de rua que se instalam em vários pontos de São Carlos vem aumentando diariamente e os problemas em praças públicas, residências abandonadas também aumentaram e preocupa a população. A reportagem acompanhou por vários dias a movimentação destas pessoas e fez um mapa dos locais mais frequentados por elas.

Os locais de maior concentração dessas pessoas são o terminal rodoviário, a Praça da Independência defronte ao velório Municipal, Praça defronte a igreja Santo Antonio em vila Prado, Praça dos Voluntários e região do Mercado Municipal, Praça Antonio Prado, Espaço defronte a Estação Cultura, em vagões abandonados no interior da antiga Estação da FEPASA, lajes de comércios na avenida Professor Luiz Augusto de Oliveira, residências nas regiões de vila Marina, Bela Vista, Vila Costa do Sol, bem como em espaços de comércios abandonados em vários pontos da cidade.

Apuramos que o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS), localizado na rua São Joaquim, acolhe de segunda a sexta-feira entre 7 e 17 horas, trecheiros e andarilhos e moradores de rua, os quais recebem café da manhã, almoço e café da tarde. Uma fonte informou que todos são cadastrados e recebem orientações e amparo, bem como os moradores de outras cidades se quiserem regressar para suas regiões chegam a receber passagem. Esta fonte ainda informou que o CREAS presta apoio psicológico e muitos são amparados para tentar retomar suas vidas com um novo trabalho. A partir das 18 horas e até as 7 horas do dia seguinte o Albergue Noturno coordenado pelo Serviço de Obras Sociais Santa Isabel, instalado na rua Rotary Club na vila Marina recolhe moradores de rua. No albergue todos também são cadastrados e recebem banho e café da manhã e alguns ainda recebem transportes para regressar para suas cidades, porém muitos voltam para as ruas.

Uma das dificuldades enfrentadas pelos funcionários do CREAS e Albergue Noturno são os usuários de crack e de bebidas alcoólicas, que insistem em adentrar nas unidades sob efeito de álcool ou de drogas.

Praça defronte ao velório municipal vive tomada por moradores de rua.Um dos andarilhos que concordou em falar sem ser identificado disse que a praça para os mendigos é um local para “manguear” (arrecadar dinheiro). Disse ainda que a praça defronte ao velório municipal é conhecida como a “Praça da Pinga”, pois pela manhã eles se reúnem para conversar beber e posteriormente cada um faz o que quiser de sua vida. Este rapaz diz que embora não fizesse uso de droga, o “crack” é a mais consumida entre eles. Ele diz que é da região sul de São Carlos e devido a família não aceitar sua esposa eles resolveram sair de casa e hoje moram na rua e vivem de esmolas. Outro de 41 anos se diz “morador de laje”, pois dorme com amigos sob uma laje de uma loja na avenida Professor Luiz Augusto de Oliveira próximo a região em que está instalado o Albergue Noturno, que segundo ele só pode passar três noites e posteriormente são colocados na rua. Pela manhã deixam o local e seguem para a Praça Independência onde permanecem durante todo dia.

Uma mulher de 36 anos, que há quatro anos reside nas ruas de São Carlos diz que após passar 10 anos casada e com duas filhas na cidade de Matão, cansou de apanhar do marido e fugiu de casa. Ela diz que sente saudades da família e de sua cidade natal. A mulher que seria uma enfermeira espera que no mês de junho volte a Matão para rever a família e rever as filhas.  

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